No jardim de eurídice, nua e suplicante, desperta a seiva nos dias de vitória.
Para lá do mar vivem os outros, sofrem os outros e morremos todos.
No jardim de eurídice a relva é verde e os canteiros
geométricos embalam os meninos nas sombras do entardecer.
Do outro lado do mundo a
geometria incerta rasga as
sombras povoadas de fantasmas.
No jardim de Eurídice
há canções de roda.
Nos lugares concretos
e definidos o sangue corre exitante.
O jardim de Eurídice tem uma cidade à volta. Cheia de pessoas
indecisas, homens com medo e crianças assustadas.
Naquele lugar incerto E
o medo que se teme em vez da sua figura.
Eurídice vive de olhos fechados pejados de rímel e lápis cor de rosa.
Não sabe dos meninos embalados de olhos serrados, ssem rímel
nem lápis de cor.
Eurídice vai a todo o lado, mas não está em lugar nenhum.
Não sabe dos que lutam sozinhos pela sua liberdade.
O mar já não está do
outro lado, e Eurídice já não tem o seu
jardim.
Mas a cidade permanece agora geometricamente incerta.
Já tem sombras povoadas de fantásmas e meninos sem lápis de cor.
Já tem sangue a
correr pela rua, e homens que
lutam sozinhos.
Abriu finalmente os
olhos.
Mas
agora Eurídice! É tarde de mais.
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