sexta-feira, 18 de maio de 2018


 

No jardim de eurídice, nua e suplicante, desperta a  seiva nos dias de vitória.

Para lá do mar vivem os outros,  sofrem os outros e morremos todos.

No jardim de eurídice a relva é verde e os canteiros geométricos embalam os meninos nas sombras do entardecer.

Do outro lado do mundo a  geometria incerta  rasga as sombras povoadas de fantasmas.

No jardim de Eurídice  há canções de roda.

Nos lugares  concretos e definidos  o sangue corre exitante.

O jardim de Eurídice tem uma cidade à volta. Cheia de pessoas indecisas, homens com medo e crianças assustadas.

Naquele lugar incerto E  o medo que se teme em vez da sua figura.

 

Eurídice vive de olhos fechados pejados de rímel e  lápis cor de rosa.

Não sabe dos meninos embalados de olhos serrados, ssem rímel nem lápis de cor.

Eurídice vai a todo o lado, mas não está em lugar nenhum.

 

Não sabe dos que lutam sozinhos pela sua liberdade.

 

 

O  mar já não está do outro lado, e  Eurídice já não tem o seu jardim.

Mas a cidade permanece agora geometricamente incerta.

Já tem sombras povoadas de fantásmas e  meninos sem lápis de cor.

Já tem sangue a  correr pela rua, e  homens que lutam sozinhos.

 Abriu finalmente os olhos.

Mas agora Eurídice! É  tarde de mais.