E se deus fosse um de
nós.
Hoje dei por mim a
pensar nisto enquanto fazia o caminho de regresso a casa.
Se deus fosse um de nós, perdido no trânsito, nas filas do
super mercado, atafulhado em papeis numa qualquer repartição onde facilmente
nos esquecemos dele.
Se deus se cruzasse comigo hoje, na tarde cinzenta e escura,
por entre os devaneios de fim de dia, e
a esperança que me acompanha
sempre para todo o lado.
Se me dissesse boa noite, está frio, tem muitas dúvidas na
cabeça, menina, isso não faz bem, sonhe menos e
concretize mais.
Ou então algo como,
deixe tudo para trás, as coisas que a
magoam, o que não tem remédio
remediado está, a vida é bonita de mais para ser passada assim, entre
casa e o
trabalho, no meio de coisas e
coizinhas do dia-a-dia.
Poderia ainda perguntar-me o
que quero eu do meu futuro, da
vida, das pessoas que me rodeam, em suma o
que quero eu de mim mesma.
Se deus fosse um de
nós, talvez lhe pudesse dar a mão. Sentir o
calor da sua pele o contacto dos
seus dedos e concluir que tudo segue
o rumo certo.
Talvez me bastasse encostar a cabeça no seu ombro e perguntar o
que posso eu fazer para crescer.
Para onde devo ir, que livros deverei ler, que provas tenho
que passar, o que devo eu abandonar no
cais de partida para a viajem que
continuu a cada instante.
Se ele descesse à
terra, enquanto um de nós e se
misturasse connosco no redemoinho dos dias, talvez ficasse feliz em perceber
que viaja com muitos de nós a todas as horas.
Que pensamos nele, lhe pedimos ajuda, mas acima de tudo
continuaremos à sua procura nos
pormenores mais ínfimos, mas também nos mais importantes das nossas vidas.
Talvez deus seja um de nós. Talvez o consigamos ver por aí nos sorrisos das
crianças, no pòr do sol, no mar calmo por onde deslisam os navios.
Quem sabe se um destes dias ele não me dará a mão só para
dizer e confirmar que está sempre lmá para mim, mas de tão absorvida no
corropio do tempo eu insisto em não o ver.
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