O que seriamos
sem palavras.
Essas fórmulas mágicas.
Palavras que o vento
leva, silêncios imprecisos de quando elas nos fogem de repente.
Palavras ordenadas no caus dos dias de tormenta. Frases
atiradas *a pressa sobre folhas de papel florido em momentos de puro êxtase
Palavras que alteram o rumo das coisas. Signos finais de
caminhos traçados ao som de verbos conjogados em tempos e pessoas de sintonizadas.
Significados que brilham como diamantes nas missivas mais
obscuras. Entendimentos frágeis que se esbatem no deserto dos olhares
desencontrados.
As palavras que me faltam agora, mas que em tempos me
sobravam em hordas de luz e cor.
As palavras que
procuro no vão dos dias inquietos que atravesso sem substantivos
adjectivados no calor das tuas mãos nas minhas.
As frases tão
perfeitas que as tuas palavras mutilaram para sempre.
A dor da ausência sem sentido nem palavras.
A verdade
significativa com palavras a mais e despida de sensações.
O caminho que faço agora sem palavras.
A verdadeira causa incipiente
perdida na cadência das afirmações otrora claras.
O rumor da tua voz cada vez mais longínqua.
A lembrança do tempo em que tudo quanto menos precisamos
foram palavras.
Aquilo que não disseste, tudo quanto jamais eu quis ouvir.
A vida que atravesso agora naufragando nos vestígios das
palavras.
Pedaços de tudo o que
ficou por dizer, no acordo tássito a que
até elas se furtaram. E umcaminho
persistente que faço em busca de palavras sopradas pelo vento numa voz que se
aproxima sem medo.
As palavras antigas
e gastas que procuro