segunda-feira, 30 de outubro de 2017


O  regresso dos pirilampos
Este verão regressaram ao meu jardim os pirilampos. Voltaram em noites de calor e tormenta. Vieram muitas vezes para alegria do meu filho que não se lembrava do dia em que ainda muito pequeno ficou rendido à magia dos bichinhos que brilham. Voltaram os luminosos pirilampos em tempo de dúvidas obscuras. Brilharam em noites de inquietude e escuridão. Nestes dias de viragem turbulenta e agreste, a luz incipiente vence aos poucos a tristeza nublada. A luz que tantas vezes nos foge, a claridade que desejamos, mas deixamos escapar por entre os dedos nos dias em que tudo nos sobra. A lufada de ar fresco que vem nas manhãs luminosas. É desta luz que preciso. aquela que brilha sem ofuscar. A luz que os dias nos trazem em forma de gente, de gargalhadas, de momentos partilhados no auge da cor.
Regressaram os pirilampos. Partiram as minhas ilusões sem brilho nem madrugada.
voltará aos poucos o brilho das palavras, a clareza das emoções.
Voltarei eu a iluminar o meu caminho e aprender a lição dos pirilampos.

Voar.

Deixar para trás tudo o  que nos prende.

Soltar amarras e  deixar florescer a  essência primordial que nos habita.

  Rasgar convenções.

Ter a  coragem de nos libertarmos de tudo o  que nos sufoca.

Partir, cortar, escrever nomes novos em histórias antigas, mas não lhes adivinhar o  final.

Abrir os olhos para a  liberdade sem o  medo do salto para o  vazio.

Fazer e  refazer a  nossa história sem nada do que fomos a  ensombrar-nos  os dias.

Crescer, viajar e  planar por um mundo a  quem abrimos a  porta e  a  claridade.

Chegar onde queremos sem medo da verdade dos outros, mas acima de tudo nunca abandonando a  nossa.

Existem lembranças que serão sempre aberturas de caminhos e  final de rota, instantes que nos farão para sempre voltar a  um ponto de partida, e nos voltarão ao mesmo tempo a  ensinar os novos percursos.

É  a força do que fomos que nos liberta para o  que queremos ser, e  deixa entrar em nós a  claridade.

 

Porque a vida renasce todos os dias, quanto mais soubermos libertar-nos do que não nos pertence, e menos tivermos a tentação de nos aprisionarmos e enredarmo-nos nas teias dos outros.