Se eu fosse mar e tu fosses
virtude, estaríamos até hoje embalados na pacata palidez dos dias andados.
Se eu voltasse atrás, Contemplaria
mais momentos breves ao pôr do sol. E escreveria mais poemas e menos lamentos apagados à medida que as emoções vão
passando. Amaria mais vezes ao toque do piano esquecendo a lógica das melodias.
Sentiria certamente mais a tua falta e nunca te deixaria sem saber da minha vontade de partilhar. Viajaria mais sem um
destino programado, tentaria apenas chegar longe, onde o céu fosse mais azul e as mentes se emaranhassem
na procura das respostas aos mais periclitantes sentimentos.
Se eu podesse teria escrito uma história. Era uma vez
uma mancha negra no meio do céu. E não me punha em
dúvida tão tarde. Pintaria um quadro impressionista para que ficasse para
sempre comigo o retrato da minha escuridão. Navegaria menos nos momentos turvos
e mais em ti e na tua expressão solida de quem não perde porque esperou. E não
desistiria só porque as águas eram agitadas. Se eu soubesse, correria até te alcançar e amarrar-te-ia a mim com grilhões de
fraternidade para semmpre e nunca mentiria aos desejos mais contidos.
Embarcaria numa qualquer
madrugada para voltar às claras durante o imperar do equinócio. Mergulharia nas
calendas do teu corpo para solver as más memórias que juntos partilhámos ao
cair das janelas azuis. Gritaria aos quatro ventos que sou uma pedrada no meu
próprio charco mas nem porisso deixo de sonhar com gargalhadas exfusiantes e
virgulas na maior das angustiantes certezas. Cantaria uma cantiga à muito abandonada. E ouviria tudo o que me quizeste dizer
e passou despercebido no meio da multidão em que me transformei. Por
agora vou dezenhando luares, fragmentos de mapas onde a minha marca de água vai
um dia fazer sentido. E sem saber quando
espero que a multidão me abandone e me deixe ser uma só. E porque ao suave
sintilar dos diamantes não chamamos brilho mas sim claridade, eu espero um dia
que consigamos chamar à arrebatadora
solidão em que vivemos, apenas vontade de esperarmos um pelo outro só
pelo prazer do riencontro.
S
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