sábado, 18 de junho de 2016


 


Se eu fosse mar e tu fosses virtude, estaríamos até hoje embalados na pacata palidez dos dias andados.
Se eu voltasse atrás, Contemplaria mais momentos breves ao pôr do sol. E escreveria mais poemas e menos lamentos apagados à medida que as emoções vão passando. Amaria mais vezes ao toque do piano esquecendo a lógica das melodias. Sentiria certamente mais a tua falta e nunca te deixaria sem saber da minha vontade de partilhar. Viajaria mais sem um destino programado, tentaria apenas chegar longe, onde o céu fosse mais azul e as mentes se emaranhassem na procura das respostas aos mais periclitantes sentimentos.
Se eu podesse teria escrito uma história. Era uma vez uma mancha negra no meio do céu. E não me punha em dúvida tão tarde. Pintaria um quadro impressionista para que ficasse para sempre comigo o retrato da minha escuridão. Navegaria menos nos momentos turvos e mais em ti e na tua expressão solida de quem não perde porque esperou. E não desistiria só porque as águas eram agitadas. Se eu soubesse, correria até te alcançar e amarrar-te-ia a mim com grilhões de fraternidade para semmpre e nunca mentiria aos desejos mais contidos.
Embarcaria numa qualquer madrugada para voltar às claras durante o imperar do equinócio. Mergulharia nas calendas do teu corpo para solver as más memórias que juntos partilhámos ao cair das janelas azuis. Gritaria aos quatro ventos que sou uma pedrada no meu próprio charco mas nem porisso deixo de sonhar com gargalhadas exfusiantes e virgulas na maior das angustiantes certezas. Cantaria uma cantiga à muito abandonada. E ouviria tudo o que me quizeste dizer e passou despercebido no meio da multidão em que me transformei. Por agora vou dezenhando luares, fragmentos de mapas onde a minha marca de água vai um dia fazer sentido. E sem saber quando espero que a multidão me abandone e me deixe ser uma só. E porque ao suave sintilar dos diamantes não chamamos brilho mas sim claridade, eu espero um dia que consigamos chamar à arrebatadora solidão em que vivemos, apenas vontade de esperarmos um pelo outro só pelo prazer do riencontro.

S

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