sábado, 11 de junho de 2016


Há um despertador para ouvir, um café para engolir, um casaco para vestir,um
transporte para apanhar. E um morto caído na rua.
Há sonhos para realizar, oportunidades para agarrar, lições para estudar, e horizontes
por abrir. Na esquina há um mendigo que crusa os braços e vê a vida passar.
As pessoas correm, os carros vooam, os apressados gritam, as crianças choram. Um
velho centado à soleira pergunta quando será o fim do pesadelo.
O trafego prossegue, o vento não se vislumbra que socegue, os homens baixam a
cabeça, os pássaros continuam a voar. E alguém queima o que lhe resta da vida 
breve num qualquer pó branco .
O pai não tem tempo, a mãe corre sem parar, os brinquedos são sempre os mesmos, os
sorrisos fojem à pressa. E o menino chora com fome de tanto ter comido
A cidade acorda, vive frenetica, cresce, enche-se de cores brilhos e fantasias aos
milhares. A prostituta permanesse na esquina à procura de um sentido contrario.
Nas montras tudo é belo, novo, suave, diferente, perfeito. A rapariguinha sonha ser
personagem de um filme já gasto, onde tudo morre antes de nascer .Lá longe as aves
passeiam livremente no ar. As gaivotas voam perto do mar, os animais descansam a
tarde está a comessar. Uma mulher agastada deseja o paraíso alcansar.
A noite cai devagar, o frio teima em apertar,no pensamento um desejo a casa poder
voltar. O sem abrigo sem nome só quer um canto para se aconchegar.
A cidade adormesse, o dia chegou ao fim. O homem morreu, o mendigo pensou, o velho
interrogou-se, o rapaz drogou-se, a prostituta iludiu-se, o menino chorou, a
rapariguinha sonhou, a mulher desejou, o sem abrigo conformou-se. A terra girou, e
tudo continuará a ser assim.
Janeiro de 2004

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