Branco pérola
Pintado a branco pérola está o teu nome em mim.
Os gritos daqueles dias em que vinhas a correr e partias em
seguida para uma volta incerta.
O negro das manhãs onde o branco pérola era uma miragem
trocada pelo cru do azedume.
Vermelho era a cor dos dias tingidos pela raiva das
palavras. O cruzar das setas pejadas de mágoa.
Nesses dias eu sonhava com o azul do mar em que me entreguei
a ti sem armas nem bagagem, sem porto nem abrigo.
Escrevi nos dias azuis o teu nome a branco pérola. Deixei
entrar a luz resplandecente dos fins de tarde, para me ajudar a pintar a tela
perfeita.
Os tons dourados enfeitavam as noites quentes, onde
brindamos ao canto sublime das cores primeiras.
Antes de cairmos no abismo cinzento de onde jamais logramos
escapar.
O brilho cintilante aqueceu-nos os dias a branco pérola
pintados.
Fez-nos sonhar com
cores iguais num desfile de manhãs claras.
Agora eu pinto os dias ao sabor de um arco-íris, que trouxe
comigo no fim dos tempos cinzentos.
Desses ficou a marca impressa num coração enegrecido onde
brilham muitas cores.
A branco pérola pintei o teu nome em mim. Tu pintaste um
nome qualquer numa tela gasta pelos murmúrios do vento, e segues sem cor um
caminho traçado a verde esperança, a cinza, preto, vermelho e dourado. Mas nunca
a branco pérola.
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