quarta-feira, 8 de junho de 2016


Branco pérola

 

Pintado a branco pérola está o teu nome em mim.

Os gritos daqueles dias em que vinhas a correr e partias em seguida para uma volta incerta.

O negro das manhãs onde o branco pérola era uma miragem trocada pelo cru do azedume.

Vermelho era a cor dos dias tingidos pela raiva das palavras. O cruzar das setas pejadas de mágoa.

Nesses dias eu sonhava com o azul do mar em que me entreguei a ti sem armas nem bagagem, sem porto nem abrigo.

Escrevi nos dias azuis o teu nome a branco pérola. Deixei entrar a luz resplandecente dos fins de tarde, para me ajudar a pintar a tela perfeita.

Os tons dourados enfeitavam as noites quentes, onde brindamos ao canto sublime das cores primeiras.

Antes de cairmos no abismo cinzento de onde jamais logramos escapar.

O brilho cintilante aqueceu-nos os dias a branco pérola pintados.

  Fez-nos sonhar com cores iguais num desfile de manhãs claras.

Agora eu pinto os dias ao sabor de um arco-íris, que trouxe comigo no fim dos tempos cinzentos.

Desses ficou a marca impressa num coração enegrecido onde brilham muitas cores.

A branco pérola pintei o teu nome em mim. Tu pintaste um nome qualquer numa tela gasta pelos murmúrios do vento, e segues sem cor um caminho traçado a verde esperança, a cinza, preto, vermelho e dourado. Mas nunca a branco pérola.

 
Janeiro de 2011

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