sábado, 11 de junho de 2016


 


AS TUAS MÃOS
Nas tuas mãos navego e grito finjo ser pátria local de morada porto de abrigo choro de criança grito de guerra vestido de seda sorriso de menina olhar de águia real e circo de feras.
Mãos que me prendem mãos que me agarram mãos onde me digo aos outros como a ti próprio. Sentidos onde sou como as outras, crédola e verde, sinderela e gata, prata e jasmim perfumado.
Mãos minhas, mãos de veludo mãos doces escorrendo sal, mãos ferozes e agrestes de tão brancas e ressequidas. Não são minhas porquê?
Não são do mar mas pescam com ele o saber cristalino dos fados convertidos em lamentos nos jardins de acácias. Mãos onde pousam as estrelas a caminho do luar de junho. Mãos de inverno repletas de neve fresca. Mãos silvestres, mãos com cheiro a vindima, mãos de outono e folhas secas, prenúncio de liberdade vendida, indicio de lucidez chorada.
Mãos de morte onde a vida se esvai sem aviso. Mãos de fada má. Asas de bruxa sonhadora. Sementes de ruído estéril. Certezas com ponto de interrogação. Sentimentos abandonados saudades das noites de concenso, em busca da divergência mor.
Mãos delicadas na força bruta da cratera para onde o destino nos quer arrastar. Simbolos chinezes de um oriente perdido na sombra da vergonha. Mãos de lã mãos de papel mãos de soldado mãos de viajante mãos da sorte comidas pelo asar de existir. Mãos de verdade para onde a mentira corre. Mãos de solidão, mãos frias porque oo calor lhes fujiu. Mãos quentes otrora, mãos vencidas agora. Mãos que tremem mãos por lavar mãos sem brilho, mãos pequenas para me abarcar aos poucos mãos suadas pelas horas pelos dias que passam devagar. Mãos que embalam os sonhos dos outros. Mãos de poente na timidez nascente mãos de paz de vida de morte de divino e gracioso manejar. Mãos curvas de retidão inquieta.
Mãos cansadas de ir e vir, mãos que ficam sem regresso.
julho 2004

Sem comentários: