ANJO CAÍDO
Há um anjo que brilha no fundo dos teus olhos. Ele sabe o teu nome mas
não chama por
ti.
Há uma floresta densa no supé de uma colina para onde foste caminhando
sem nunca lá
chegar.
Lá fora a
neve reluz, branca e trémula. Foi sobre ela que andaste o dia todo, mas das
tuas pegadas nem sinal.
As crianças brincam alegres, na rua que te viu crescer Só de ti ninguém
se recorda
Há uma
casa pequena no fim de uma viela estreita virada para o rio. Foi nela que te
fizeste gente, Mas não há quem tivesse nunca sabido quem eras
Foi atrás
de uma nuvem cde-rosa que correste, atravessaste o mar, onde ela se
desvaneceu.
Brincaste às escondidas com a lua
E acabaste por ficar para sempre no limbo Quanto à
lua
continuou a brilhar prateada no céu azul
Subiste à mais alta das montanhas para de iá contemplares o mundo Porém
a chuva
afogou o teu sonho
Escreveste versos cristalinos com as pedras da calçada Mas veio o
alcatrão
Pediste à chuva que te regasse o canteiro Mas veio o sol para o ajudar a
secar
Quiseste beber o mais doce dos licores Mas deixaste que o copo te
escapasse por entre
as mãos frias.
Queimaste as cartas que julgavas saber de cor Porém com as cinzas negras
o vento
levou também as tuas memórias.
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