Algoddão doce
sem marcas nem manchas nem vontade
de ser aquilo que nunca fui, Penso por vezes em pintar o mundo de azul e a
primavera de um verde claro que nem sempre encontra paralelo nas imagens que
no decorrer dos dias vamos oferecendo em bandejas de prata, aquelas que tentamos
vender aos outros como sendo a nossa essência. sob a forma de presente
envenenado com um embrulho
bonito e um laço dourado. Era bom se podessemos provar o algodão doce numa tarde calma de Verão com o som dos pássaros
e da brisa em fundo com a lembrança das manchas escuras afastada do nosso
horizonte, assim como se fosse um céu de onde as nuvens partiram à já algum
tempo e não se vislunbra que voltem. seria como nos filmes onde no meio da
trama já lá estamos dentro, a fazer de herói e de heroína, salvamos vidas,
amamos, sorrimos, sonhamos, somos o que no bafiento gozo do dia a dia nunca
conseguiremos ser. É a pensar nisto que vou comendo o meu algodão, sem pensar
que amanhã e depois e depois e ainda mais tarde, vou continuar a ser eu, cheia
de dúvidas, angustias, incertezas e tudo o que de incerto tem a vida. Porém aqui
e agora apenas eu e o algodão doce.
Sem comentários:
Enviar um comentário