sábado, 11 de junho de 2016


 


Algoddão doce
 sem marcas nem manchas nem vontade de ser aquilo que nunca fui, Penso por vezes em pintar o mundo de azul e a primavera de um verde claro que nem sempre encontra paralelo nas imagens que no decorrer dos dias vamos oferecendo em bandejas de prata, aquelas que tentamos vender aos outros como sendo a nossa essência. sob a forma de presente envenenado com um embrulho bonito e um laço dourado. Era bom se podessemos provar o algodão doce numa tarde calma de Verão com o som dos pássaros e da brisa em fundo com a lembrança das manchas escuras afastada do nosso horizonte, assim como se fosse um céu de onde as nuvens partiram à já algum tempo e não se vislunbra que voltem. seria como nos filmes onde no meio da trama já lá estamos dentro, a fazer de herói e de heroína, salvamos vidas, amamos, sorrimos, sonhamos, somos o que no bafiento gozo do dia a dia nunca conseguiremos ser. É a pensar nisto que vou comendo o meu algodão, sem pensar que amanhã e depois e depois e ainda mais tarde, vou continuar a ser eu, cheia de dúvidas, angustias, incertezas e tudo o que de incerto tem a vida. Porém aqui e agora apenas eu e o algodão doce.
Abril de 2002

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