sábado, 11 de junho de 2016



 


Abre a porta, deixa entrar a leveza com que um dia te brindaram.
Abre a alma, permite que o choro te limpe as maguas e as arremesse para longe.
Abre os olhos, vive com a cara e a corajem de quem tem verdades múltiplas para
distribuir e chapéus recortados em papel colorido para emfeitar as manhãs de Inverno.
Abre o coração, por um segundo que seja e entra nem que só tu o faças e brinca com ele
sem regras nem limites.
Abre o livro, finge que não sabes quem lhe arrancou as páginas mais belas. Tu vais
voltar a escrevê-las.
Abre as asas, e plana por aí, aproveita para contemplar de cima a doçura harmoneosa
das pétalas de rosa suavemente tombadas à sombra dos dias.
Abre o armário, rasga as roupas, queima as cartas, os recortes de jornal, os papeis
velhos, as duresas novas, e parte! Sem nada que seja passivel de enfiar num outro
armário bafiento e podre.
Abre o horizonte, e se preciso for pinta-lhe navios, esculpe-lhe luzes, dezenha-lhe
virgulas retira-lhe pontos finais.
Abre a arca,lá guardarás o teu tesouro, a tua própria virtude. Saber sorrir.
Abre o pustigo, espreita a rua, olha como é bonita tem árvores, pessoas, ssuspiros vistos
à lupa e rostos perdidos por de trás dos corações.
Abre a janela, deixa o sol espreguissar-se até ao tutal ocultar da lua. Deixa que ele te  acompanhe na busca vorás da tranquilidade.
Abre a cama, deita-te e feicha os olhos. Amanhã o dia é novo e tu também.
Março 2003

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