Era já tarde
quando me deixei ficar por ali. O sol estava a pôr-se e a areia branca da praia
mostrava os meus paços marcados pela lentidão do dia e da vontade. O mar
ajitava-se contra as rochas, onde ia esculpindo um triunfo lento. Com o azul da
água contrastava o negro que se aproximava no céu. Os barcos iam balançando
diante de min como folhas abandonadas ao vento em dias de Outono. Havia pedaços
de navios encalhados na viragem dos tempos, sem mar nem leme, rodiados de prosa
salgada perante a ligeireza da paisagem. E eu
ali me ia deixando estar, a ver passar as horas ao mesmo tempo que meditava
vagarosamente seguindo o ritmo das ondas, ora mais depressa, ora mais devagar.
Ia chegando a noite, e o mar cobria-se de repente de um manto dubiu dezenhado à
pressa pelas fadas que tricotavam no céu uma
manta de cores diverças. Aqui e além ia-lhe bordando matises negros para onde
levavam as nuvens. Sem querer deixei-me adormecer por ali, em busca da maré que
me enchesse de azul e me ancorasse nela até ao fim dos dias. Sonhei com
marinheiros alados, e com a ilusão das
barcas naufragadas. Desejei marés vivas de emoção onde eu provasse vinhos
quentes oferecidos por baco ao amanhecer. Acreditei
emviajens pelos sentidos entre as grutas escondidas no seio das algas.
Mas tudo o que consegui, foi o
impiadoso toque dos raios de sol, que me acordaram ao som do regresso dos navios.
sábado, 11 de junho de 2016
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