terça-feira, 18 de março de 2008

A guerra de Bush e dos amigos

Passaram no Domingo cinco anos sobre a tristemente célebre cimeira dos açores, onde Aznar, Bush, Blair e Durão barroso deram inicio ao Carnaval fora de tempo que foi o pretexto para declarar guerra ao Iraque.
Cinco anos passados ficamos a saber aquilo que quase ninguém tinha dúvidas, ou seja que armas químicas nem vê-las.
Tanto folclore para no fim de contas dar corpo e sentido a uma fantasia faraónica do Sr. Bush, que quem sabe num dia que acordou mal disposto se lembrou que tinha que mandar o Sadam para o inferno, e com ele grande parte de um país.
Sadam todos o sabemos era um assassino frio e cruel, um déspota que castrou a inteligência e a dignidade de um povo, mas o pretexto para lhe declarar guerra daria vontade de rir se as consequências ainda hoje não fossem tão sérias. A alcaeda ganhou terreno à custa da instabilidade, todos os dias morrem soldados e civis. Mas os digníssimos participantes da cimeira das lajes dormem tranquilos. Fizeram o seu trabalho, aquilo que todo o mundo queria.
Acabaram com o o regime iraquiano e têm um país esventrado. Abriram a caixa de pandora e clamam vitória face a um inimigo morto e enterrado.
Passaram cinco anos mas parece que foi ontem que dei por mim a pensar o quanto é triste e degradante que todo um mundo vá atrás das ideias de um americano pouco dado a raciocínios lógicos.
Vão passando os dias e do futuro do Iraque nada se sabe, nem ninguém parece realmente interessado em saber. Facto é que mais umas quantas armas foram vendidas, uns quantos senhores ficaram mais ricos e um rio de sangue com um caudal assustador vai pintando de vergonha o dito mundo civilizado.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Simone

Chama-se Simone e canta cantigas, esta mulher de armas que nos entra pela alma a dentro e deixa nela a profunda sensação de que vale a pena ter coragem, desbravar caminhos e seguir em frente com a vida que nem sempre é mãe.
Simone é o brilho no escuro. A lufada de ar fresco que trás consigo a terra inteira.
O canto aberto e claro da essência.
Aquele turbilhão doce em que sabe bem sermos enredados.
Gosto desta mulher grande em quem vejo personificada a forma mais sublime de ser simples e vencedora.
Simone é das poucas pessoas que nos faz acreditar que vale a pena ser verdadeiro num teatro de vaidades como é a vida pública nacional.
Nesta noite em que me entrou pela casa dentro no programa grande entrevista, senti uma vontade irreprimível de dizer o quanto admiro aquela pessoa que é só nossa, e com quem fui crescendo e bebendo as palavras.
Num país que também se chama Simone de Oliveira.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Portugal passado presente e futuro

Portugal passado presente e futuro
Todos nós, somos aquilo que fomos, e seremos aquilo que construirmos.
Também as nações se vão fazendo conforme o seu passado, a dinâmica do presente e a forma como preparam o seu futuro.
Portugal tem no seu passado momentos gloriosos. A fundação do condado portucalense, a luta contra o domínio de Castela, e os descobrimentos, são disso exemplo. Contudo a euforia das descobertas deixava antever aquele que seria o erro estrutural do nosso desenvolvimento. Descobrimos terras, implantamos a nossa cultura e religião, trouxemos para a Europa matérias-primas e produtos desconhecidos como as especiarias e alguns tecidos, mas não desenvolvemos a indústria. Em vez disso preferimos adoptar a chamada política de transporte, que consistia em vender os materiais a países estrangeiros, em lugar de desenvolvermos a sua transformação no território nacional.
Se em Lisboa alguns viviam na abundância, no resto do país reinava a fome. Os ventos da mudança não chegavam ao interior pobre e muito desfavorecido.
Assim foi acontecendo durante séculos e séculos. A incipiente indústria cujas tentativas de relançamento eram aniquiladas no campo diplomático, como sucedeu com o acordo entre portugal e Inglaterra, onde nós recebíamos tecidos em troca do vinho do porto que cedíamos aos ingleses, foram reforçando o nosso atraso estrutural. Tivemos nas mãos tudo para sermos um país de topo, mas deixamos fugir sucessivamente as oportunidades que nos surgiram. Nunca recuperamos deste erro estratégico.

O Portugal de hoje vive dividido entre um futuro incerto e um passado mal arrumado na memória e na história, sem pensar devidamente o presente.
Não paramos para reflectir onde e porquê erramos, e vamos caindo nos mesmos erros como se fosse a primeira vez.
Saudosistas por natureza, preferimos exaltar as glórias do passado cada vez mais longínquo, em vez de olharmos para a realidade do presente com olhos de ver.
Do Passado trazemos a tendência nata de olhar para a embalagem ao invés de analisar o seu conteúdo. Aqui e ali vamos adoptando modelos e realidades pensadas por e para outros, as quais nada nos dizem tanto do ponto de vista cultural como do ponto de vista social. Continuamos a ser um país sem estratégia pensada por e para nós.
Pagamos ainda hoje a factura do isolamento da época do estado novo, isolamento esse que se fez sentir a todos os níveis. O ar fresco da democracia entrou no nosso país como um elefante numa loja de porcelana, não houve tempo nem disponibilidade para pensar um país que abria os olhos da escuridão. Fomos como sempre agindo em função do momento, a ferro e fogo entre o correcto e o possível. Somos um país a duas velocidades. Por um lado o atraso ancestral em que vive parte da sociedade portuguesa, por outro o desenvolvimento socioeconómico que a custo se foi instalando e dando alguns frutos. desta duplicidade nasce a crise em que hoje vamos vivendo e fingindo não ser nada connosco. Expectativas demasiado elevadas para tão pouco e mascarado crescimento.
Salários de país pobre, estilo de vida de país rico. Esta tendência transversal a toda a sociedade portuguesa torna evidente a nossa falta de planeamento e estratégia. Não importa como, importa é conseguir os objectivos e mediatos. Já devíamos ter aprendido com o passado, mas continuamos teimosamente a querer construir a casa pelo telhado.

Para melhor encararmos o futuro temos que compreender o passado e agir no presente. Contudo Portugal vai progredindo na lógica do e mediato.
O nosso futuro será aquilo que nós portugueses quisermos que ele seja, será aquilo que fizermos dele.
Enquanto tivermos a atitude do século XVI, que na essência pouco se alterou, vamos continuar a viver numa falsa estabilidade, e a passar ao lado do real desenvolvimento.
Continuaremos a viver à sombra do resto do mundo desenvolvido, e fatalistas como só nós, a especular sobre o que podia ter sido e ficou por fazer.